Se você tem um gato, você sabe como “fazê-lo ronronar”: fazendo um cafuné, situação infalível para provocar ronronados. O resultado disso é que a explicação mais típica para o ronronado é que se trata de uma expressão de felicidade e contentamento.
Mas não é só nestas ocasiões que os gatos ronronam. Eles também o fazem quando estão sob pressão, como durante uma visita ao veterinário, ou quando estão se recuperando de um ferimento. Aparentemente, nem todo gato que está ronronando está feliz ou contente com sua situação.
O estudioso do comportamento dos animais, Paul Leyhausen, que estudou os gatos por várias décadas, sugeriu que o ronronar é uma forma de comunicação dos gatos, que eles usam para sinalizar a outros que não pretendem brigar. E um estudo recente apontou que os gatos usam um tipo especial de ronronado quando querem que os humanos os alimentem.
Embora não saibamos direitinho como o gato ronrona, alguns mecanismos do ronronar já foram decifrados. Por exemplo, o gato é capaz de ronronar tanto ao exalar quanto ao inalar ar. O linguista sueco Robert Eklund, fascinado pelos sons de animais, gravou ronronados de vários tipos de gatos, e notou que o som do ronronado varia entre 20,94 e 27,21 Hz quando o gato exala, e 23,0 e 26,09 Hz quando ele inala, além de produzir fortes ondas harmônicas.
Só que nem todos os felinos conseguem ronronar. Leões e tigres não ronronam. Chitas ronronam. Desta forma, dá para dividir os gatos em dois grupos: os que ronronam e os que rugem, e esta diferença talvez seja anatômica.
Qual diferença anatômica? Existem muitas, mas ninguém sabe qual é a responsável por ronronar ou rugir. Não existe um “órgão do ronronado” ou alguma parte especializada na garganta dos gatos que seja responsável pelo ronronar. Uma sugestão é que os músculos da laringe contraem e dilatam as cordas vocais dos gatos, fazendo-os ronronar.
Elizabeth von Muggenthaler, pesquisadora de bioacústica no Fauna Communications, sugeriu que os gatos ronronam para se curar. Segundo ela, frequências entre 20 e 140 Hz são terapêuticas para o crescimento de ossos ou músculos, cura de fraturas ou feridas, alívio de dor, redução de inchaços, reparo de tendões, mobilidade de juntas e alívio da dispneia.
Analisando a gravação do ronronado de chita, puma, serval, ocelote e gato doméstico, a equipe da pesquisadora descobriu que as frequências do ronronado estão todas na faixa que favorece o crescimento ósseo.
Esta hipótese poderia explicar os benefícios evolutivos do ronronado, mas ainda é apenas uma hipótese, pois não há evidências sólidas que os ossos dos gatos se soldam mais rápido por causa do ronronar.
Confira os vídeos de um gatinho e de um chita ronronando:
Fonte: Hype_Science


